O verdadeiro amor não exige reciprocidade; não é platônico, é
incondicional. E não é para ser explicado ou entendido; é sim
para se vivido intensamente como se fosse o primeiro ou o último.
Novos tempos ou novas formas de amar?
Quero, aqui, provocar uma reflexão sobre a forma como de se amava no passado e
como se ama hoje com a alegação da falta de tempo para a dedicação, atenção ao
ouvir e para compartilhar momentos. Interesses, claro, sempre houve, mas esses
"interesses" foram expandidos de tal forma que, em nome de reciprocidade,
tornaram o amar uma forma de comercializar o sentimento. Aí está o nexo entre
o amor, a reciprocidade e o tempo é o que comento, a seguir. Esta reflexão me
veio durante uma conversa sobre a colocação de uma virgula nesta frase: "O
verdadeiro amor não exige
reciprocidade; não é platônico, é incondicional." Logo, a conversa se estendeu, dando
origem à esta crônica, sobre como era amar antigamente.
A Metáfora da Vírgula: O Tempo de Pausa que sumiu
O Nexo:
A vírgula que defendi na frase "não é platônico (virgula) é incondicional"
representa a pausa. É o tempo de respiro necessário para que o amor exista e
seja sentido em sua plenitude.
A Crítica:
O homem moderno eliminou as vírgulas da vida. Quer tudo corrido, direto,
sem pausas para a contemplação. Ao eliminar a pausa, eliminou-se a
capacidade de sentir o amor incondicional.
O que nos fez, no tempo, mudar a forma de amar?
Seria a pressa que não aceita as “virgulas” para respirar, um “tempo para
se cuidar”, já que “quem ama, cuida”? Logo, o tempo para cuidar de si mesmo. Neste caso, esta é uma boa troca,
pois o corpo responderá reciprocamente.
Não foi o tempo que fez pessoas mudarem a capacidade de amar sem
interesses. Claro que interesses sempre houve, mas esses "interesses" foram
expandidos de tal forma que, em nome de reciprocidade, tornou o amar uma
forma de comercializar o sentimento ao exigir trocas, trocas estas, que
desconstroem o amor incondicional. Aí está o nexo entre o amor, a
reciprocidade deste e o temp
O Passado: O Amor no Tempo da Contemplação
O Nexo:
No passado (dos poetas românticos à fotografia analógica), o amor habitava o tempo da espera. Havia espaço para o
não-recíproco, para o platônico, para a idealização e para a entrega sem
garantias.
Amor platônico cria a um amor idealizado
Na nossa cultura popular, costuma ser associado a um
amor platônico, inalcançável ou não correspondido (como amar alguém famoso ou uma pessoa
inatingível). Na
filosofia de Platão, é um impulso da alma que começa com a atração física e se eleva até a
contemplação da beleza e da sabedoria puras, buscando a ou vendo perfeição
na pessoa amada.
O amor incondicional não idealizado
Amar incondicionalmente é desacelerar o relógio; é parar o tempo para sentir,
para sonhar sem nada esperar... É dizer que o seu sentimento não está à venda
e não espera o troco. É resgatar a saúde mental através da simples gratuidade
do sentir e doar profundo afeto.
Defender que "o verdadeiro amor não exige reciprocidade" em pleno século XXI
tornou-se um
ato de rebeldia anticapitalista
ou um romantismo ultrapassado.
Gabriel Martins
• Filósofo Empírico | Nexialista
• Escritor
• Jornalista fundador e diretor do site e do jornal - Rampa de Acesso
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• Artista Visual | Mestre em Pintura e Fotografia - Fundador e Diretor do Ateliê Luzes e Sombras (Barra da Tijuca,desde 1999)
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• Criador e Palestrante do Projeto 'A Nossa relação como Tempo' Conheça o projeto no blog →
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