O que faz um momento ser especial?

Afinal, o que são momentos especiais?

Os momento especiais são subjetivos e variam de pessoa para pessoa. Isso inclui, entre tantas características, os tipos gostos, tipos de personalidade, o momento e o motivo do acontecimento, inclusive o seu estado emocional naquele momento. O que poderia emocionar alguém em algum momento específico, poderia não ser percebido pela mesma pessoa em outro momento.

A intensidade e a emoção:

Não é que o acontece durante um determinado tempo, mas sim a intensidade da emoção, o tipo e a intensidade do sentimento provocados.

A simplicidade que emociona:

A simplicidade que emociona pode criar momentos tão especiais que despertam grandes emoção podem estar na simplicidade ou num pequeno detalhe do acontecimento.

A reconexão com o interior

Na correria da rotina cotidiana, nas cobranças de respostas rápidas, algumas tão rápidas que mal dá tempo para pensar nas respostas. É tudo tão rápido que nos desconectamos de nós mesmos. Nestes momento é preciso perceber este estado comportamental para criarmos o momento da reconexão com o nosso interior

Um momento especial não depende exclusivamente de eventos externos, há vezes podem estar quando nos afastamos de tudo, inclusive das tarefas, das metas, dos resultados e de tudo que nos faz nos esquecermos de cuidamos de nós mesmos. Por isso precisamos criar o momento especial para nos reconectarmos com nosso interior, e restaurar o nosso sistema cognitivo e emocional

Portanto, não há receitas ou regras para se criar momento especiais; mas sim pode haver planejamento. Podemos concluir que não devemos ficar inertes esperando que aconteçam bons momentos sem estarmos esperando que aconteçam.

A carta de Frida Kahlo e o nexo com o tempo

Há uma conhecida carta atribuída à Frida Kahlo que, quando citada quase sempre, é resumida nesta famosa e última frase: “Por que, se eu tiver que pedir, já não o quero mais.” Nesta carta Frida enumera as atitudes que gostaria que o seu marido, Diego Rivera, tomasse com ela.

As atitudes que Frida esperava seriam somente que seu marido lhe fazer perguntas sobre o seu cotidiano, como passou o dia, suas esperanças, seu dia, suas dúvidas, enfim, uma demonstração de carinho ou de como se importava com ela. O nexo entre Frida Kahlo e o tempo está em o quanto esperou por algumas simples perguntas que, para ela, seriam momentos especiais, até decidir-se a escrever aquela carta.

Tese (o tempo)

• O esgotamento de quem esperou tempo demais pelo que nunca aconteceu — e que não acontecerá.

Conflito (a pergunta):

• Ficamos passivos, esperando que o “especial” caia do céu, ou somos nós que devemos apertar do nosso botão de “play”?

Síntese (a ação):

• A decisão consciente de agir, para não herdar a tristeza do arrependimento deixada pela inércia.

Nexo (a conexão e temporalidade):

• Tudo passa pelo tempo de vida que perdemos enquanto esperamos o que não sabemos se virá.

Sobre momentos especiais

Momentos especiais não são eventos agendados pelo destino; são frestas que abrimos no cotidiano. Quando ficamos na inércia, esperando que o outro nos enxergue, acabamos nos enterrando em vida — como as emoções que Frida Kahlo guardou até não caberem mais em si.

A partir desta reflexão, resolvi não me permitir ficar na inércia. Preciso provocar momentos especiais, ainda que em mensagens para demonstrar o meu carinho, a minha preocupação e o meu amor. E, assim, a seguir, dou início a esta crônica, ela é uma conversa com alguém que não se irá ler.

Olá!Bom dia!

Não quero que me desculpe por tanta insistência em querer saber como está você, por ter te amado tanto, por tentar com os meus braços manter ancorado no cais o grande navio sobrecarregado com o amor, o carinho e a amizade que ainda existem em mim, enquanto roça com força em meu rosto a forte corda que ainda o mantém ancorado, mas já sendo esfacelada pelo tempo enquanto me queima a pele. Se devo pedir desculpas, que não seja pelo que faço, mas porque continuarei fazendo da mesma forma enquanto tempo eu tiver.

Eu queria perguntar como foi o seu dia; não só o de hoje, nem o de ontem, ou desta semana, mas todos os dias em que você deixou de me responder. Aí, ao invés de pensar que eu estaria lhe criando um bom momento, talvez, nada especial, ao querer demonstrar minha lembrança, o meu carinho e o meu cuidado com você, mas tive a sensação de que a estaria importunando. Então, refleti e escrevi sobre o que são momentos especiais e, à esta minha reflexão "indagação": Afinal, devemos aguardar inertes que aconteçam momentos especiais ou os criar?

Já ouvi que devemos guardar o que temos de melhor para um momento (fração de tempo) especial. Se é certo? Não sei. Mas sei que todos os momentos podem ser especiais, basta que assim os façamos sem complicações e, às vezes, com coisas tão simples como um olhar, uma frase, uma declaração de amor, um abraço...

Por falar em amor, podemos dizer que amor é um universo dos melhores sentimentos que fazem sentido e todos explicáveis pela saúde mental Enquanto paixão é um sentimento único e inexplicável; é uma forma de loucura. A paixão é um vício.

O que declarar para criar ou transformar um momento simples num momento especial, quando se tem os dois sentimentos?

Pensando bem, o amor e a paixão nos dão a mesma vontade incontrolável de dizer em todos os momentos as coisas mais lindas para alguém que nos é especial, porque nunca acreditamos ter dito tudo, ou da forma como gostaríamos de dizer.

Se não tentarmos criar, ou transformar um momento simples em especial, como saberemos se a pessoa estaria precisando ou, se gostaria de ouvir o quanto e o que a faz tão especial e insubstituível para nós? É preciso lhe dizer, todos os dias; é como regar uma roseira. O medo de tentar lhe criar momentos especiais, me manteria inerte em mim mesmo, me impedindo de ser completo em mim, e de ser eu um pouco mais feliz.

Assim, se todos dias eu não lhe perguntar se está bem, como foi ou está sendo o seu dia, se lhe parecer que não me importo com você, se eu não tentar lhe lhe criar momentos especiais, se não lhe provocar sorrisos inesperados e se não repetir, sempre, o quanto a amo e para sempre, sou eu quem irá chorar, hoje, amahã e por todo o tempo que me resta.


Gabriel Martins

• Filósofo Empírico | Nexialista
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