Esperar ou criar momentos especiais? Frida Kahlo desistiu

Momentos especiais são os que devemos provocar, e não ficar inertes esperando que aconteçam

Afinal! O que são os momentos especiais? Os que criamos ou os que, passivos, simplesmente esperamos que aconteçam?

Remeto esta crônica à Frida Kahlo. 

Ao ler a carta atribuída à Frida Kahlo ao seu marido, Diego Rivera que, quando citada, termina, com frequência, resumida nesta frase: "Por que se tenho que lhe pedir, eu já não o quero." Confesso que senti uma sensação de urgência  como um desejo de redimir alguém que, talvez, por indiferença ou por não ser recíproco a um amor, não soube ser grato por ser amado. Resolvi não "plantar" arrependimento em mim, porque o tempo o faria brotar e crescer como uma erva daninha enraizada na minha memória. 

Após a poesia, discorro sobre o que são momentos especiais, e por que não devem ser esperados, e sim criados. Frida, depois de tanto tempo esperando que seu marido lhe criasse momentos especiais, pelo menos, demonstrando o mínimo de carinho, algum interesse no seus momentos ou, até, do seu marido. Talvez para a fazer, se não amada, ao menos sentir-se importante para ele.

"Se eu tiver que pedir, já não o quero mais."

Eu não vou te pedir que me dê um beijo. Nem que peças perdão quando acredito que o que você fez foi mau ou que tenha se equivocado.  Tão pouco vou te pedir que me abraces quando isso seja o que mais necessito, ou que me convide a jantar no dia do nosso aniversário.

Não vou te pedir que venhamos a recorrer o mundo, a viver novas experiências, e muito menos vou te pedir que me dê a mão quando estejamos na metade dessa cidade.

Não vou te pedir que me digas o quão bonita estou, ainda que seja mentira, nem que me escrevas nada belo. Tão pouco vou te pedir que me chames para contar como foi o seu dia, nem que me diga que sente a minha falta.

Não vou te pedir que me agradeças por tudo que faço por ti, e que se preocupes comigo quando os meus ânimos estão no chão, e claro, não pedirei que me apoie em minhas decisões. Tão pouco vou pedir que me escutes quando tenho mil histórias para lhe contar.


Não vou pedir que me faças nada, nem sequer que fique ao meu lado para sempre. Por que se tenho que lhe pedir, já não o quero!

A carta de Frida e seu o nexo com o tempo

Tese (Frida): o esgotamento de quem esperou tempo demais pelo que nunca veio — e não virá.

Conflito (a pergunta): ficamos passivos, esperando que o “especial” caia do céu, ou somos nós que devemos apertar do nosso botão de “play”?

Síntese (a ação): a decisão consciente de agir, para não herdar a tristeza do arrependimento deixada pela inércia.

Nexo — temporalidade (a conexão): tudo passa pelo tempo de vida que perdemos enquanto esperamos.

Momentos especiais devem ser provocados e surpreendentes.

Momentos especiais não são eventos agendados pelo destino; são frestas que abrimos no cotidiano. Quando ficamos na inércia, esperando que o outro nos enxergue, acabamos nos enterrando em vida — como as emoções que Frida Kahlo guardou até não caberem mais em si.

Eu não me permito ficar na inércia, preciso provocar momentos especiais, ainda que em mensagens para demonstrar o meu carinho, a minha preocupação e o meu amor. E, assim, dou início a esta crônica.

 Bom dia!

Não quero que me desculpe por tanta insistência em querer saber como está você, por ter te amado tanto, por tentar, com os meus braços manter ancorado no cais o grande navio, enquanto roça em meu rosto a forte corda que ainda o mantém ancorado, mas sendo esfacelada pelo tempo... Se devo pedir desculpas, que não seja pelo que faço, mas porque continuarei fazendo da mesma forma enquanto tempo eu tiver.

Eu queria perguntar como foi o seu dia; não só o de hoje, nem o de ontem, ou desta semana, mas todos os dias em que você deixou de me responder. Aí, ao invés de pensar que eu estaria lhe criando um bom momento, talvez, nada especial, ao querer demonstrar minha lembrança, o meu carinho e o meu cuidado com você, mas tive a sensação de que a estaria importunando. Então, refleti e escrevi sobre o que são momentos especiais e, à esta minha reflexão "indagação": Afinal, devemos aguardar inertes que aconteçam momentos especiais ou os criar?

Já ouvi que devemos guardar o que temos de melhor para um momento (fração de tempo) especial. Se é certo? Não sei. Sei que todos os momentos podem ser especiais, basta que assim os façamos sem complicações e, às vezes, com coisas tão simples como um olhar, uma frase, uma declaração de amor, um abraço...

Por falar em amor, podemos dizer que amor é um universo dos melhores sentimentos que fazem sentido e todos explicáveis pela saúde mental Enquanto paixão é um sentimento único e inexplicável; é uma forma de  loucura. A paixão é um vício.

O que declarar para criar ou transformar um momento simples num momento especial, quando se tem os dois sentimentos?

Pensando bem, o amor e a paixão nos dão a mesma vontade incontrolável de dizer em todos os momentos as coisas mais lindas para alguém que nos é  especial, porque nunca acreditamos ter dito tudo,  ou da forma como gostaríamos de dizer. 

Se não tentarmos criar, ou transformar um momento simples em especial, como saberemos se a pessoa estaria precisando ou, se gostaria de ouvir o quanto e o que a faz tão especial e insubstituível para nós? É preciso lhe dizer, todos os dias; é como regar uma roseira.

O medo de tentar lhe criar momentos especiais, me manteria inerte em mim mesmo, me impedindo de ser completo em mim, e de ser eu um pouco mais feliz. 

Assim, se todos dias eu não lhe perguntar se está bem, como foi ou está sendo o seu dia, se lhe parecer que não me importo com você, se eu não tentar lhe lhe criar momentos especiais, se não lhe provocar sorrisos inesperados e se não repetir, sempre, o quanto a amo e para sempre, sou eu quem irá chorar, hoje, amanhã e por todo o tempo que me resta.

Gabriel Martins
• Nexialista | Filósofo Empírico
• Jornalista | Poeta | Escritor
• Mestre em Pintura e Fotografia |
• Artista Visual
• Fundador e Diretor do Ateliê Luzes e Sombras (Barra da Tijuca, desde 1999)
• Idealizador do projeto: "A nossa relação com o tempo sob luzes e sombras"
 Palestrante observador das relações humanas com o tempo

Você pode estar se perguntando: 
 - O que é um Nexialista observador da essência humana?
Saiba aqui


Jamais devemos nos esquecer de que
 tempo é vida


© Gabriel Martins
2026


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quando saber viver pode ser uma questão de escolhas?

O nexo entre Newton, o tempo, a vírgula e o oásis

Podemos tentar, mas é impossível conseguir